Atualizado: 08/01/17.

Associações que reúnem cardiologistas, endocrinologistas e membros da Sociedade Brasileira de Análises Clínicas têm emitido recomendações para que seja abolido o jejum antes da coleta de sangue. A prática é adotada no Brasil desde a década de 1970, mas alguns países já aboliram a medida há, pelo menos, dez anos. O endocrinologista Willian Pedrosa afirma que o fim do jejum em alguns exames não traz nenhum prejuízo para a efetividade do exame. “A mudança ocorreu basicamente por uma questão de evolução dos estudos relacionados à estimativa do risco cardiovascular nos pacientes que não estão em jejum. Hoje, nós temos uma forma de estimar esse risco com os pacientes fora do jejum e observou-se que esse jejum não prejudica o cálculo do colesterol LDL, que é o chamado colesterol ruim”, esclareceu. O profissional relata os benefícios para os pacientes para os laboratórios. “A gente tem algumas perspectivas práticas ideais, quando o paciente não está em jejum. Diminui o absenteísmo (ausência) no trabalho, pois o paciente poderá colher o exame em qualquer período do dia, e também há uma praticidade para o laboratório clínico, que poderá ter uma distribuição maior dos clientes ao longo do dia, evitando filas e atraso no atendimento. Além disso, teremos ainda mais segurança para os pacientes de grupos particulares, como diabéticos, gestantes, crianças e idosos, cujo jejum prolongado é mais desconfortável e os colocam sob risco”, explicou. O médico destaca que a ideia é seguir esta evolução técnica e de análise dos pacientes presente em países mais desenvolvidos. “Já observamos alguns países europeus, e até a Europa como um bloco, endossando a prática da ausência de jejum. Nos Estados Unidos há um pouco mais de flexibilidade. O Brasil, incorporando essa prática, irá se unir a esses grupos pelo mundo”, observou. A prescrição do fim do jejum para exames de sangue ainda não foi adotada pelos médicos, pois ainda precisa de adaptação por parte dos profissionais. “A normatização já foi sugerida. A adaptação levará tempo porque será preciso modificar o laudo e o registro de como o exame acontece. Será necessário inserir nesse laudo o tempo de jejum de uma maneira automática e os valores de referência com o paciente fora do período clássico de jejum. Os clínicos terão que formatar a forma de fazer a entrevista do paciente, especificar o tempo de jejum e elaborar o laudo de maneira clara para que não haja dúvidas em relação aos resultados”, disse o endocrinologista. “É evidente que essa prática tem que vir alicerçada com esses estudos clínicos que permitem ao cliente ter benefício da ausência de jejum, mas sem nenhum prejuízo para a estimativa do risco cardiovascular”, acrescentou o médico, que ainda citou as exceções, alertando que a ausência de jejum para a coleta de sangue não será para qualquer um. “O médico irá definir se ele quer o exame com jejum ou não. A prática ainda pode ser a preferida por alguns colegas, dependendo da forma como ele quer o cálculo do colesterol LDL. Além disso, os pacientes que apresentam os triglicérides mais elevados, entre 400 mg/dl e 440 mg/dl, possivelmente terão o jejum estipulado em 12 horas”, finalizou. Itatiaia/A VOZ DO POVO.

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